quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Sobre uma dissertação: Sociedade Alternativa.

Dissertei em uma prova sobre o tema: Brasil: Um país de possibilidades? 
Decidi por compartilhar com os satélites essa façanha; meio pessimista, nada fora do normal em se tratando de Brasil.

Sociedade Alternativa.

            Em meados do século XIX e início do século XX surgiu, no Brasil, uma onda significativa de imigrantes europeus, fugidos de conflitos ou crises econômicas, muitas vezes. Tal imagem foi concebida, de certa maneira, a partir de uma mentira que objetivava fazer deste imigrante, mão de obra local. Assim, o país não se mostra como um local de possibilidades, já que estas devem ser concebidas de uma forma honesta, menos restritiva e mais igualitária.
            Exemplos do período colonial, imperial e até mesmo republicano comprovam que o país sempre lidou com propostas inexatas perante a população. Não só na questão da falta de oportunidade ou, ainda, na falta de liberdade, mas também no sentido de as possibilidades gerais serem restritas a uma minoria, que o país pode ser caracterizado.
            Com base nisso, uma sociedade geradora de possibilidades deve ao mesmo tempo discutir as alternativas e dar a opção de expandi-las para todas as esferas. Existem, por exemplo, situações da história nacional em que a população ficou à margem de decisões importantes e, ao mesmo tempo, sem o direito de escolher um caminho.
            Raul Seixas, num período de liberdades limitadas, coloca em sua canção Sociedade Alternativa o seguinte: “Se eu quero e você quer / tomar banho de chapéu (...) / ou esperar papai Noel / Vá! Faça o que tu queres pois é tudo da Lei.” Nessa lógica, a discussão proposta não se relaciona em poder fazer tudo, ao contrário, a relação existente está em poder discernir aquilo que se acha prudente para cada realidade. Ainda assim, o segmento “se eu quero e você quer”, não abrange a situação de homogeneização de uma conduta, mas sim a uma situação de respeito e/ou reconhecimento perante o próximo, abrindo assim, grandes alternativas e possibilidades.

            O país, portanto, não está enquadrado em um local de oportunidades e de alternativas, já que tal conduta exige um esforço maior no tocante a oportunidades honestas e igualitárias. Assim, o cidadão brasileiro precisa buscar a sua sociedade alternativa, mostrando que deve estar presente nas situações relevantes e, ainda, tendo a sua liberdade de escolha. Dessa maneira, um país mais digno poderá ser construído diante de uma história exploratória, em que poucos poderiam “beber da fonte”.


sábado, 7 de novembro de 2015

A poesia prevalece!



Poema de sete faces

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
(Carlos Drummond de Andrade)

Uma Singela Homenagem ao grande Carlos! Não o Roberto, o Drummond mesmo. Sobre o primeiro, não caberia uma postagem.


 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Fatigado de Penumbra.

Sobre o reflexo de um vidro molhado, sinto um gosto amargo. O café já esfriou e acabou o açúcar. Acabou-se o doce, o sabor das coisas, das situações. Numa lógica mais proximal, não seria a solução comprar um açúcar novo? Acabou-se o estoque. Portanto, não há doce para o café. O único gosto que há é aquele amargo encrostado do aroma queimado de uma cafeteira. E ao lado, próximo a cesta de pão, está o jornal... Este não acabou em matéria mas, sobre aquilo que mais importava naquelas palavras periódicas, acabou-se. As boas notícias. Não há mais... Não verei - talvez - a esperança de uma melhoria, a diminuição de uma violência abrupta, mas sim seu crescimento exponencial... Acabou-se, portanto, o açúcar. A vida não é mais doce: o café desce quadrado sobre a leitura rápida daquelas mesmas notícias de morte e corrupção, "queda no PIB aumento da inflação";quase um jingle de campanha eleitoral, só que, ao contrário, neste partido ninguém votaria...  Mas votou. E não voltou atrás... A grande conduta está em ser aquilo que é mais fácil, acreditar que tudo pode melhorar...Já não é mais esperança, mas sim a crença em ignorar um problema, buscar outras soluções.(...) Estou cheio. "Vou me embora pra Pasárgada, lá sou amigo do rei"? NÃO. Deixemos assim, vamos aprender a amá-lo. E talvez reconstruir a palavra esperança em todas suas esferas. A esperança é um fósforo que se acende contra o vento, lutamos para mantê-la acesa mesmo que as chances de se apagar sejam grandes. Vamos acreditar! E se mobilizar um pouco, quem sabe.
Por enquanto, vou apreciando o amargo do café... Quem disse que gosto de muito açúcar? Depende do dia; algumas vezes é melhor mais amargo para acordar. O amargo é mais poético, faz despertar o âmago do ser. Para não estragar, encerro. Mas bem que pelo menos a chuva poderia cessar e todas as famílias desabrigadas pudessem reencontrar o caminho do lar. Afinal, quem sou eu para reclamar da vida?

Porto Alegre, Novembro de 2015.
Perambulando na Penumbra.

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Sobre o título

Decidi por criar esta página. Não tenho a intenção de ser um líder messiânico e reunir seguidores. Ao contrário, precisava de uma forma mais prática para armazenar as reflexões, as inspirações, pirações et cetera. do meu quotidiano. Assim já caio na explicação do título: Por que Ins-pirações com um travessão separando o prefixo? E quem usa Quotidiano? Não sei a resposta da segunda pergunta, mas o motivo da primeira está simplesmente no fato de a criação artística anda com a "inlucidez", algo normal. Quero trazer isso de forma periódica, mas sem cair naquela mesmice de textos de blog's ou situações banalizadas, já retratadas. Não serei falso de dizer que uso a palavra ''quotidiano" sempre e que sou um arcaico, quase do barroco. Muitos antes disso( vide frase do Manuel de Barros na descrição) quero algo espontâneo e tranquilo... Enfim, eu só quero registrar e praticar. Registrar, pois necessito entrar aqui daqui alguns anos e talvez pensar: "Como eu escrevia textos idiotas", "olha que foto horrível"; e em seguida, pensaria que o idiota é super legal e,talvez, publicaria um livro cheio de coisas idiotas e venderia pelo mundo. Ou guardarei no meu íntimo e construirei meu livro de diversas formas, mas todas preservando a arte do escrever. Pois como disse Voltaire: "A escrita é a pintura da voz."

Mesa de trabalho do escritor Charles Dickens