Decidi por compartilhar com os satélites essa façanha; meio pessimista, nada fora do normal em se tratando de Brasil.
Sociedade
Alternativa.
Em meados do século XIX e início do século XX surgiu, no
Brasil, uma onda significativa de imigrantes europeus, fugidos de conflitos ou
crises econômicas, muitas vezes. Tal imagem foi concebida, de certa maneira, a
partir de uma mentira que objetivava fazer deste imigrante, mão de obra local.
Assim, o país não se mostra como um local de possibilidades, já que estas devem
ser concebidas de uma forma honesta, menos restritiva e mais igualitária.
Exemplos do período colonial, imperial e até mesmo
republicano comprovam que o país sempre lidou com propostas inexatas perante a
população. Não só na questão da falta de oportunidade ou, ainda, na falta de
liberdade, mas também no sentido de as possibilidades gerais serem restritas a
uma minoria, que o país pode ser caracterizado.
Com base nisso, uma sociedade geradora de possibilidades
deve ao mesmo tempo discutir as alternativas e dar a opção de expandi-las para
todas as esferas. Existem, por exemplo, situações da história nacional em que a
população ficou à margem de decisões importantes e, ao mesmo tempo, sem o
direito de escolher um caminho.
Raul Seixas, num período de liberdades limitadas, coloca
em sua canção Sociedade Alternativa o seguinte: “Se eu quero e você quer /
tomar banho de chapéu (...) / ou esperar papai Noel / Vá! Faça o que tu queres
pois é tudo da Lei.” Nessa lógica, a discussão proposta não se relaciona em
poder fazer tudo, ao contrário, a relação existente está em poder discernir
aquilo que se acha prudente para cada realidade. Ainda assim, o segmento “se eu
quero e você quer”, não abrange a situação de homogeneização de uma conduta,
mas sim a uma situação de respeito e/ou reconhecimento perante o próximo,
abrindo assim, grandes alternativas e possibilidades.
O país, portanto, não está enquadrado em um local de
oportunidades e de alternativas, já que tal conduta exige um esforço maior no
tocante a oportunidades honestas e igualitárias. Assim, o cidadão brasileiro
precisa buscar a sua sociedade
alternativa, mostrando que deve estar presente nas situações relevantes e,
ainda, tendo a sua liberdade de escolha. Dessa maneira, um país mais digno
poderá ser construído diante de uma história exploratória, em que poucos poderiam
“beber da fonte”.

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